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quinta-feira, 26 de julho de 2012

Cecília e mais

Cecília
No mistério do sem-fim
equilibra-se um planeta.

E, no planeta, um jardim,
e, no jardim, um canteiro;
no canteiro uma violeta,
e, sobre ela, o dia inteiro,

entre o planeta e o sem-fim,
a asa de uma borboleta



E mais


Lembrei desses versos de Cecília pensando no equilíbrio das coisas, esse invento da superstição que nos faz cogitar a possibilidade de um série de fatos secundários e não relacionados poderem determinar outro, do qual dependemos ou a que estamos ligados.


Sendo assim, lembre-se do que você estava fazendo em 17 de junho e repita tudo, porque foi nesse dia que o Bahia ganhou sua última partida. Faz um mês e nove dias, mas já já podem ser dois meses: os próximos adversários são Palmeiras (hoje), Corinthians e Grêmio, tradicionais páreos duros quando temos um bom time, ainda mais com esse aí.

-----> RECLAMAÇÃO DO POTENCIAL LEITOR: ISSO AQUI NÃO É SOBRE FUTEBOL! <-----


Ok. Isso aqui não é futebol, sempre. É que agora não tenho nada pra dizer, a não ser que as olímpiadas me dão vontade de ser atleta ou de ser cantor de cabaré, por que com essa idade só posso ir agora pra olímpiada master seniors.   


SE alguém tiver alguma informação acadêmica sobre homens-lentos, esse é o conceito que tenho que estudar agora.


SE alguém tiver informações sobre coisas legais de se fazer em Vegas ou em Nova Iorque, principalmente se for uma dessas coisas maravilhosamente baratas e espantosamente sensacionais que de vez em quando aparecem por aí, me digam. Quero passar duas semanas faalando inglês no Central Park ou algo assim. Ou andando de bicicleta, ou cozinhando com Mario Batali.

Se alguém souber como consertar guitarras, comprar peças, montar tudo, tocar, etc, me diga.


Enfim, terminando. A luta continua e quem sabe a UFBA divulga aí o dia do meu curso de alemão.

 

terça-feira, 9 de agosto de 2011

estudando gripado - observações fúteis

Tô escrevendo isso -

“Um lugar é a ordem (seja qual for) segundo a qual se distribuem elementos nas relações de coexistência”. Assim, um elemento estaria em relação a outro, “portanto excluída a possibilidade, para duas coisas, de ocuparem o mesmo lugar”, define Certeau (p. 201). Uma vez que o lugar se torna uma configuração de posições, o espaço, por sua vez, “existe quando se tomam em conta vetores de direção, quantidade de velocidade e a variável tempo”. (CERTEAU, p. 202).
As operações, portanto, é que transformam as localizações em cruzamentos e lhe dão contexto significativo. Enquanto cada lugar é estável, o espaço é ambíguo, modificado pelas transformações sucessivas, aponta Certeau, “como a palavra quando falada”. Assim, Certeau pode afirmar: “Em suma, o espaço é um lugar praticado” (p. 202).
É na análise de Merleau-Ponty que Certeau busca apoio para sua tese, indicando que o “espaço geométrico descrito por ele corresponde ao “lugar”, enquanto ao “espaço antropológico” corresponde outra espacialidade mais propícia ao espaço construído no cotidiano, e também nos relatos que incessantemente efetuam o trabalho de transformar lugares em espaços ou espaços em lugares.
Ciente dessa terminologia, Augé (1994) constrói sua proposição do lugar antropológico:
O lugar, como o definimos aqui, não é em absoluto o lugar que Certeau opõe ao espaço, como a figura geométrica ao movimento, a palavra calada à palavra falada, ou o estado ao percurso: é o lugar do sentido inscrito e simbolizado, o lugar antropológico. (ver como é, p. 76)
Augé (1994) considera que a noção corrente de espaço ligada à conquista espacial ou aos lugares “desqualificados ou pouco qualificáveis” como os espaços-lazer ou espaços-jogos o coloca em melhor condição de designar as superfícies não simbólicas do planeta. Uma vez que o termo espaço se aplicaria indiferentemente a extensão, distâncias ou grandezas temporais, como mostrado anteriormente, ele se torna eminentemente abstrato, no dizer de Augé, embora de uso sistemático e pouco diferenciado.
Por espaço aéreo, espaço judiciário e espaço publicitário são designados a parte da atmosfera que um Estado controla, o conjunto institucional e normativo utilizado por uma sociedade e uma porção de superfície ou de tempo destinado à publicidade, aponta Augé, acrescentando que o termo espaço ainda pode evocar salas de espetáculo ou de encontro, jardins, assentos de avião ou modelos de automóveis, o que indicaria tanto a sua voga quanto a abstração que o esvazia “como se os consumidores de espaço contemporâneo fossem, antes de mais nada, convidados a se contentar com palavras.” (1994, p.78).
Assim, em O sentido dos outros, Augé (1999) define o lugar antropológico como sendo “o lugar do ‘em casa’, o lugar da identidade partilhada, o lugar comum àqueles que, ao habitá-lo juntos, são identificados como tais por aqueles que nele não o habitam” (p. 134). É ainda “simultaneamente princípio de sentido para aqueles que o habitam e princípio de inteligibilidade para quem os observa” (AUGÉ, 1994, p. 51).
Sua escala é variável, podendo ser a casa, a choupana, a aldeia ou “tantos lugares cuja análise faz sentido, porque foram investidos de sentido, e porque cada novo percurso, cada reiteração trivial, conforta-os e confirma sua necessidade” (AUGÉ, 1994, p.51).
Os lugares antropológicos são identitários, relacionais e históricos – definem possibilidades, prescrições e proibições de conteúdo espacial e social. Nascer é nascer num lugar, ser designado à residência – o lugar de nascimento é constitutivo da identidade individual; Relacional porque coexiste entre construções partilhadas de lugar; Por fim, o lugar antropológico é necessariamente histórico a partir do momento em que, conjugando identidade e relação, se define por uma estabilidade mínima, baseada não na história enquanto ciência, mas na relação com os antepassados, com os mortos e com a tradição. “O habitante do lugar antropológico não faz história, vive na história”, diz Augé (1994, p.53).
Em suma, o lugar antropológico corresponde à idéia que os habitantes têm da sua “relação com o território, com seus próximos e com os outros”, definindo assim um contexto constitutivo partilhado entre define usos, valores e comportamentos. Sua formulação por Marc Augé (1994, 1999) o aproxima dos espaços de Certeau (ver o ano certo) no que podem ter de prática, de uso e de escrita do lugar.
Se um lugar pode se definir como identitário, relacional e histórico, um espaço que não pode se definir nem como identitário, nem como relacional, nem como histórico definirá um não lugar (p. 73)

--

e tenho que continuar com o texto.

Mas paro pra observações fúteis:

1 - sobre o deputado que devolveu o dinheiro: minha gente, se ele devolve o dinheiro, a bufunfa vai pra conta do tesouro e se reintegra ao orçamento no ano que vem. Então, esse dinheiro ainda pode virar metrô fantasma ou a Usina de Belo Monte.
O que eu espero é que, sem viajar, sem assessores, sem auxílio fardão, ele ainda consiga ser producente e fazer mais que escolher feriados insanos ou nome de escolas. Aguardo.

2 - Se o quebra-pau de London London fosse na cidade maravilhosa, hein?

3 - Saudades de Jorge Amado são sentidas e merecidas, mas o que é o fardão de Roberto Marinho na ABL?

4 - Quem quiser viver muito não ande em Fazenda Grande do Retiro domingo de noite. Avisado.

5 - QUEM É CAF?

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

::corações a mil::

Gilberto Gil

Minhas ambições são dez
Dez corações de uma vez
Pra eu poder me apaixonar
Dez vezes a cada dia
Setenta a cada semana
Trezentas a cada mês

Isso, sem considerar
A provável rebeldia
De um desses corações gamar
Muitas vezes num só dia
Ou todos eles de uma vez
Todos dez
Desatarem a registrar
Toda gente fina
Toda perna grossa
Todo gato, toda gata
Toda coisa linda que passar

Meus dez mil corações a mil
Nem todo o Brasil vai dar

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Caymmi

Todos gostavam de Pedro
E mais do que todas
Rosinha de Chica
A mais bonitinha
E mais bem feitinha
De todas mocinha lá do arraiá

Pedro saiu no seu barco Seis horas da tarde Passou toda a noite
Não veio na hora do sol raiá
Deram com o corpo de Pedro Jogado na praia Roído de peixe Sem barco sem nada
Num canto bem longe lá do arraiá

Pobre Rosinha de Chica
Que era bonita
Agora parece
Que endoideceu
Vive na beira da praia
Olhando pras ondas
Andando rondando
Dizendo baixinho
Morreu, morreu, morreu, oh...

sexta-feira, 21 de maio de 2010

[Recuperado do Infrutescências do Pensamento Fértil]

Sou puta, filho, deixa de ser estúpido. Mulher, não maldigas a ti por um certo nome que tenha algo aí que tu não faças, o que importa não será isso. Endoidou, menino? Não, não é isso. Estou dizendo que realmente não havia reparado, mas não será isso que me demoverá. És puta, não faz mal, continuo perplexo. Não sejas mais estúpido, criatura, sou puta, ouviste bem? Quer dizer que não vou de graça, não vou por sorrisos ou galanteios, não vou por emoção e se for talvez nem goste, vou por dinheiro, só vou mesmo é por dinheiro, só por dinheiro vivo. Não te pedi que viesse, nem outra coisa que isso signifique, é uma rosa, apenas uma rosa, o que encanta ao mundo inteiro. Pergunto de novo, se aceitares de novo, queres um amor, mulher?

terça-feira, 13 de abril de 2010

ginástica

Jardineiro do meu pai
Não me corte os cabelos
Minha mãe me penteava
Minha madrasta me enterrou
Pelo figos da figueira
Que o passarinho bicou
Xô! Passarinho, da figueira do meu pai...

Bem, é assim que está por aí a música da madrasta que eu tentei lembrar na aula, falando de minha avó querida. Quem disse que eu lembro assim?

a minha música é:
(o carpinteiro corta os galhos da figueira!)

Carpinteiro do meu pai
Não me corte meus cabelos
minha mãe me penteava
o meu pai me enfeitava
a madrasta me enterrou
por um figo da figueira
que o passarinho bicou...

[não tem xô nenhum, xô é do sabiá, lá vem a chuva, em beira mar, vai ver teu ninho pra não molhar - xô sabiá]

Muda a métrica da melodia, mas a idéia é a mesma... tem um pouco mais de participação paterna, mas talvez fosse vovó me enfeitava, aí eu não lembro bem, o importante é os dois versos em ava, ascendentes, e depois o descendente enterrou, breve pausa, o figo etc.
e o fantástico causo da gravidez fingida que a madrasta usara para conquistar o pai, difarsando a barriga em lençóis. Quando o pai descobre a filha, descobre junto a barriga, começa a puxar os lençóis e a madrasta vai embora puxando lençóis que nunca acabam, terminando louca. Segundo minha avó, todo o enxoval da casa era dos lençóis que a louca deixou na rua (principalmente o que eu estivesse enrolado).


Taí, lembrei.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

CONTRA MOINHOS DESDE FAZ TEMPO

Prezada Sra.

Ao perceber uso inadequado e indevido do domínio www.__ba.br, procurei imediatamente os possíveis responsáveis e competentes para que esclarecessem a celeuma formada em minha cabeça, sobretudo face à minha percepção da realidade de haver uma pagina pessoal com registro em um servidor de propriedade da UNIÃO. Para tanto, utilizei o ____, veículo de comunicação que considero legitimado por englobar as diversas perspectivas que se formam em nós na discussão democrática da realidade cada dia mais surreal em que vivemos.

Ainda hoje pude encontrar uma das professoras ligadas à YYY, que me pediu esclarecimentos por eu ter solicitado esclarecimentos àquela coordenação(!), com a qual o Sr. XXX, ou XXX simplesmente, como queira, não mantém, segundo a professora, vínculos de qualquer espécie. A
professora esclarece que a YYY vincula à página institucional do __ os conteúdos de seu interesse e não promove a criação de páginas pessoais e esclarece ainda que nenhum dos projetos citados pelo Sr. XXX é vinculado à Pós Graduação do __.

Tendo recebido a sua mensagem, notei que a Sra. se preocupou em demonstrar que a existência da ‘página pessoal’ do Sr XXX não é criminosa, nem configura corrupção nem favorecimentos. Antes, preenche interesse do __. Apresso-me em dizer que não foi e nem é minha intenção questionar a validade da contribuição científica apresentada na forma de notas de aulas e trabalhos, entre outras. Como disse à professora com quem falei mais cedo, aos colegas da empresa Junior de administração, aos colegas que convivem com a produção científica e ao
Prof. ABC, por meio do ____, minha preocupação diz respeito à existência de uma página pessoal farta de diretórios, enquanto a produção científica e a comunidade acadêmica utilizam os recursos dos servidores com tantas restrições.

Não poderia saber que a __ teria promovido a hospedagem da pagina do Sr. XXX quando as normas de uso da ____ publicadas por essa coordenação dizem, em capítulo específico às “Paginas www”, que:

1 - Para hospedar uma página de projeto institucional, um dos servidores
envolvidos no projeto deve apresentar uma proposta de página a __.
(...) os servidores poderão hospedar páginas associadas a projetos
institucionais, coordenadorias de cursos e páginas referentes às
disciplinas, que além de seguirem as regras abaixo, deverão,
"obrigatoriamente, possuir o mesmo layout da página da instituição"
2 - O endereço da página terá o formato
www.__ba.br/projetos/nomedoprojeto e o endereço eletrônico terá o
formato nomedoprojeto@__ba.br O servidor que apresentou a proposta
será o responsável pela conta. A __ dará o suporte técnico para a
produção da página, entretanto não se responsabilizara pela criação ou
manutenção da mesma. Este serviço não poderá ser utilizado para fins
comerciais;
3 - Para hospedar uma página de coordenadoria de curso (...) O endereço da
página terá o formato www.__ba.br/areas/nomedaarea e o endereço
eletrônico terá o formato nomedaarea@__ba.br O coordenador será o
responsável pela conta.
4 - Para hospedar uma página de disciplina, o professor deve apresentar
uma proposta de página para a __. (...)O endereço da página terá o
formato www.__ba.br/disciplinas/nomedadisciplina e o endereço
eletrônico terá o formato nomedadisciplina@__ba..br O professor será
o responsável pela conta. A __ dará o suporte técnico para a produção
da página, entretanto não se responsabilizará pela criação ou manutenção
da mesma. Este serviço não poderá ser utilizado para fins comerciais.

Diz ainda, em referência às diretrizes de uso da rede: “os recursos devem ser empregados de forma parcimoniosa, respeitando o espírito comunitário do __;”

Dessa forma, continuo considerando indevido e prejudicial o uso do servidor na forma de página pessoal. Trata-se de coisa pública com finalidade acadêmica e administrativa, não pessoal. A ninguém é dada a prerrogativa de fazê-lo de forma diferenciada, como é o caso, considerando
o que diz o regulamento em relação aos departamentos e coordenações. Até o momento não encontrei nenhuma outra página pessoal no formato da do Sr. XXX, e acredito que não vou encontrar, nem no __ba.br nem em outras autarquias, claro é o equívoco de tal situação. Por isso é que não aceito que sejam feridas a igualdade, a responsabilidade para com o desenvolvimento humano e social e a seriedade da produção acadêmica em nossa instituição.

Faço votos de que o Sr. XXX continue representando um apoio para essa coordenação, pelo que solicito, como membro da comunidade acadêmica, que os recursos do __ sejam usados na forma que a própria __ estabelece como regra, para que o que se considera apoio não resulte em descrédito e desconfiança.

Quanto à minha paixão pelo __, não gostaria que fosse ela a peneira com que viessem tapar o Sol sobre minha cabeça. Escolhendo esta instituição para desenvolver a minha Graduação, assumo também o dever e o compromisso de colaborar para que o seu bom nome seja zelado até o último momento de minha vida profissional, e isso só será suficiente se eu concordar em ser pequeno. Para ser grande, como diz o meu amigo Português, é preciso ser inteiro. Temos que cuidar, ser diligentes, fiscais de nós mesmos e dos reflexos dos nossos atos. Espero contar com a colaboração da __ ao desenvolver projetos de relevância para a instituição ou se por acaso, vier a compor o seu quadro administrativo. Entretanto, dispenso os seus préstimos para manutenção de página pessoal em meu nome. Isso pode ser feito junto a um servidor particular como o yahoo, o vilabol, entre muitos outros, na forma de websites, blogs, flogs, perfis etc.

Recomendo que os estudantes de Administração visitem a pagina do Sr. XXX na forma em que ela se encontra agora, na certeza de que aprenderão muito sobre tecnologias da informação, objeto de estudo do nosso curso em três disciplinas, Direito e Legislação Social, objeto de estudo do nosso curso em disciplina específica e, sobretudo, sobre organizações informais, Administração Pública e controle dos recursos de uma organização.

Insistentemente,
Pedro Laurentino

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

por que olhar?

Porque ouvi Simão no deserto
para saber que ainda tô vivo
porque dança a linha do quadril
E contra o sol desenha-se Isis nas areias

Porque descendo de Salomão em toda sua glória
para alimentar o cinema em minha mente
para imaginar você sofrendo
E O Caso do Vestido sem as filhas

Porque brilha o louro pêlo
porque curva a linha
porque suave enterra-se o umbigo
E baila a saia com o vento

Para salvar Eva da serpente
e ir ter com Adão no Paraiso
para alegrar-me de haver ja escolhido
para comemorar sua companhia

sábado, 4 de julho de 2009

Santanna - Caruaru

Antes era fazenda...
assim diz a lenda
de um velho mandacaru
hoje estais tão famosa
te vi na europa
num poster, Caruaru!

A saudade me trouxe
pra ver tuas noites
tão lindas de são joão
rever a velha moradia
que eu deixei um dia
de tras do portão

a tua paisagem me faz delirar
a lua no céu é bela como tu

estrela do agreste sempre vou te amar
no leste,no oeste,
no norte e no sul

seu mestre foi vitalino, Caruaru!
no barro fez teu destino,caruaru!


segunda-feira, 29 de junho de 2009

A França quer proibir a Burka

Vêtement ignoble, révoltant, inadmissible : ce défi à l'éternel féminin! Depuis que toute la presse en parle, depuis la légitime création d'une commission parlementaire, je me sens personnellement concernée et de plus en plus partie prenante.
[vestimenta ignóbil, revoltante inadmissível: este desafio ao "eterno feminino"! Desde que a imprensa adotou o assunto e o governo criou uma comissão parlamentar para debatê-lo, eu também me sinto parte dele]

Il y a peu, la vision de ces femmes provocatrices me laissait de glace. (Il faut dire que dans notre quartier, elles sont rarissimes.) Après tout, chacune d'entre nous, croyante ou non, intégriste ou non, est libre de se vêtir à sa guise. Mais trop, c'est trop : muettes, on les tolérait ; médiatisées, elles insupportent. Quand je vois ces femmes ainsi affublées, c'est la femme occidentale, la fiancée, l'épouse et la mère en puissance - la Femme tout court, éternel archétype - celle que je m'efforce et m'honore d'être, c'est cette femme qui souffre en moi et subis l'affront.
[Há algum tempo, a visão dessas mulheres provocadoras me deixariam petrificado (são raríssimas no meu bairro). Depois de tudo, cada uma de nós, cristã ou não, feminista ou não, é livre para se vestir como quiser. Mais exagero é exagero: mudas, nós as tolerávamos. Mediatizadas, são insuportáveis - humilham a mulher ocidental, a noiva, a esposa, a mãe - a mulher em si - esta mulher que vive em mim, que eu me esforço para ser e que sente a afronta.]
Certes, il y a d'autres tenues paradoxales dans notre univers laïc, d'autres insignes religieux, mais dans ce cas, le signe extérieur de croyance n'est pas mutilant, plutôt exaltant. En témoignent ces six oblates du Cœur Immaculé de Marie qui sont montées tout à l'heure dans mon compartiment à la station Jasmin.
[Certamente há outras vestes paradoxais no nosso universo laico, outras insígnias religiosas, mas nesse caso, o signo exterior de fé não é mutilador, é até exaltante. Vide as seis freiras do Imaculado Coração de Maria que subiram no vagão na estação Jasmim.]
Quel magnifique témoignage de vie ! Primo, ces religieuses n'étaient pas entièrement voilées, elles ; secundo, elles avaient l'air si heureuses et si épanouies, en un mot libres voire libérées ; tertio, si leur féminité apparaît, je le concède, un brin bridée (poitrine aplatie par la guimpe, sandales de corde, cartouchière en perles de buis à la ceinture...), ce n'est pas une mutilation mais une symbolique atténuation du féminin au profit d'un surcroît de décence et de Sens : hommage à leur Seigneur et Maître dont elles sont les chastes fiancées et les servantes zélées. Ce qu'a d'ailleurs très bien compris notre Président au Latran : « Dans la transmission des valeurs et dans l'apprentissage de la différence entre le bien et le mal, l'institutrice ne pourra jamais remplacer la religieuse ou la catéchiste ! »
[Que magnífico testemunho de vida! Primeiro, o véu não era completo, segundo, elas possuíam um ar feliz e sereno, diga-se levres ou mesmo libertadas, terceiro, se a mulher aparece nelas, é sutilmente atenuada, signo de sua fidelidade a Jesus, de quem são noivas e zeladoras. Como diz o nosso Presidente em Latran: na transmissão de valores e no aprendizado da diferença entre o bem e o mal, uma professora jamais substituirá uma freira ou uma catecista!]
Mais ces femmes-là, non, non et non ! Tenue trop castratrice pour la Grâce féminine qui devrait pouvoir, de la tête aux pieds, tel un ostensoir vivant, être montrée d'une manière naturelle, sans cette pièce de vêtement qui La dénature et La caricature. Le plus inquiétant pour notre vivre ensemble, c'est que ces femmes de moins en moins minoritaires, étrangement dès que survient l'été, ne semblent pas gênées par nos regards désapprobateurs. Elles vaquent à leurs occupations en coulant un regard oblique. Sans doute s'imaginent-elles que leur tenue monstrueuse est devenue banale en devenant tendance ; que la sincérité du cœur et la liberté intérieure peuvent servir en France de laissez-passer ! Elles ont tort, elles aggravent leur cas, elles sont non seulement inquiétantes mais dangereuses car, même si elles se sentent nues sans cette tenue, elles ne peuvent impunément bafouer leur dignité de Femme en contresignant par leur emblème vestimentaire leur propre esclavage et leur statut ancillaire.
[Mas essas mulheres aí, não e não! Castração da graça feminina, que deveria poder aparecer dos pés à cabeça, como um estandarte vivo, de maneira natural, sem essa peça de roupa que a degenera e estereotipa. O mais inquietante para os que vivem em sociedade é que essas mulheres são cada vez menos minoritárias, e estranhamente, quando chega o verão, não se sentem incomodadas pelo nosso olhar desaprovador. Sem dúvida, imaginam que sua roupa monstruosa se tornou banal por ser uma tendência; que a sinceridade do coração e a liberdade interior podem servir de salvo conduto na França! Elas estão equivocadas, e agravam sua situação: não são somente inquietantes, mais perigosas pois, se se semtem nuas sem essas roupas, não podem debochar impunemente de sua dignidade feminina assinando pela vestimenta a escravidão e o estatuto de mulher inferiorizada.]
Certes, je sais que si une loi interdisait ce genre de vêtement, ces femmes vivraient recluses chez elles. Mais qu'importe si notre morale républicaine est sauve ! J'ai cinq enfants, je suis fidèle pratiquante mais très tolérante, que puis-je leur dire lorsqu'ils s'enfuient en hurlant de peur ? Ou sont troublés, surtout mes garçons qui ne les lâchent pas des yeux. Qu'imaginent-ils ? Qu'entrevoient-ils de l'étroite fente où palpite leur mystère ? À l'évidence, nos jeunes sont choqués. Plus qu'un choc de civilisation, un viol de leur structuration. C'est donc ça une femme ?! Pire, Adélaïde, notre aînée, m'a suffoquée quand, à la vue de ces zombies, elle m'a avoué être tentée par ce genre de tenue décalée. Un must, disait-elle ! Hier encore invisibles ici, il a fallu une seule d'entre ces femmes pour provoquer chez nous une crise identitaire et un véritable séisme familial !
[Certamente, acredito que se uma lei proibisse esse gênero de vestimenta, essas mulheres viveriam reclusas em suas casas. Mas o que isso importa, se nossa moral republicana for salva! Tenho cinco filhos, sou praticante fiel mas tolerante, o que posso dizer quando eles fogem gritando de medo? Ou ficam atormentados, sobretudo os meus garotos, que não as perdem jamais de vista? O que eles imaginam? O que podem entrever pela estreita fenda onde palpita o mestério? Evidentemente, nossos jovens estão chocados. Mais que um choque de civilização, uma violação de sua estruturação. Será isto uma mulher?! Pior, Adelaide, nossa filha mais velha, me sufocou quando me disse que se sentia tentada por esse tipo de roupa deslocada. Um must, disse ela! Ontem invisíveis, hoje basta uma única representante dessas mulheres para provocar entre nós uma crise de identidade e um terremoto familiar!]
C'est pourquoi je demande un referendum, je lance sur la toile une pétition, j'assiège dès demain la permanence de mon député. D'ailleurs, Notre Guide Bien-aimé ne vient-il pas de rappeler à Versailles qu'une telle tenue ici n'est pas la bienvenue ? Oui, pour la survie de nos valeurs, pour l'édification de nos filles et de nos fils, mobilisons-nous toutes et tous afin que, dans la France de 2009, patrie de la Parité, sur la voie publique, partout et toujours, soient désormais prohibés et sévèrement sanctionnés par le législateur ces deux accessoires féminicides du prêt-à-peloter : le piercing au nombril et cette diabolique jupette dénommée Haraduku.
[Por isso eu peço um referendo, jogo na web uma petição, eu exijo desde amanhã a ação do deputado em que votei. Nosso presidente não disse em Versailles que sse tipo de roupa não é bem-vindo na França? Sim, pela perseverança dos nossos valores, pela edificação de nossas filhas e filhos, mobilizemo-nos todos a fim de que, na França de 2009, pátria da igualdade, na via pública, em todos os lugares e sempre, sejam daqui pra frente proibidas e severamente punidas pela lei esses dois acessórios femicidas do prêt-a-tirar: O piercing no umbigo e essa coisa diabólica chamada micro-saia.]Michel Bellin, para o Lemonde

terça-feira, 19 de maio de 2009

Deixai falar as telefonistas


Todos conhecemos este fenômeno da língua que transforma em vilãs do bem dizer as telefonistas: o gerundismo e o "vou estar fazendo". é feio, é ruim de ouvir, não corresponde ao uso erudito da lingua portuguesa... mas não é caso de irmos à fogueira com as profissionais do atendimento por telefone. Vamos ao gramático. Não sou linguista, nem normativista. No devido momento, guardo os plurais e os gêneros, os pronomes de tratamento, enfim, sou um falante instruído e procuro valorizar o uso adequado do nosso idioma querido sempre que posso. é por isso que minha tentativa de ajudar a compreender a adoção do gerundismo pelas telefonistas se baseia em poucos e singelos argumentos. O primeiro é de que sim, o gerúndio existe em nossa língua, e sim, existe na forma flexionada. Vou escrever demonstrando isso. Viram? infinitivo mais gerúndio. escrev[er] demonstra[ndo]. O jogador do Bahia jogou mancando todo o segundo tempo. indicativo mais gerúndio. Faça sorrindo. Claro, nesses exemplos o gerúndio ajuda um verbo a modificar outro, funcionando como adverbio. jogou como? jogou mancando. fez como? sorrindo. Ao caso. Estar passando. Como eu poderia utilizar essas duas coisas de naturezas distintas assim, lado a lado? estar-passar? Nesse instante, gostava de estar passando sob a ponte Vasco da Gama, ouvindo cantar o fado em Alfama. Não me telefone na semana que vem, estarei viajando. Não posso falar, estou dirigindo. Estou vendo. Vejo. Sim, é possível reduzir quase tudo a uma forma verbal mono-palavra. Não posso falar, dirijo. Não me telefone, viajarei. Não fica tão bem com o "na semana que vem". Acho que fica estranho fugir ao gerúndio quando o que se quer é determinar algo em um espaço de tempo. Do dia dois ao dia dez, estarei [vou estar] viajando. Depois, retomamos as aulas. Enfim, o gerúndio existe e pode ser concertado em alguns contextos. Concerto, com c de conjunto. Esse foi o argumento um. O argumento dois: as telefonistas existem, como existem os advogados. O advogado, a pedido nosso, entra com um processo, processa alguém. Na verdade, ele entra com papéis num prédio onde, apresentados esses a um escrivão ou equivalente, formam um processo. Ele, então, sai com o processo. Peticionam, representam. Assim como existem os médicos que punçam e suturam, auscultam e prescrevem. Advogados, médicos, técnicos de informática, sociólogos e filósofos são agentes sociais qualificados, com conhecimentos especiais divididos entre diferentes problemas que podem acometer a sociedade. Isso porque têm junto à sociedade uma autoridade reconhecida. Não se discute com o técnico: formata-se o disco que afinal não é disco, que fosse, ainda assim seriam formatados os dados, não o disco. Mas não se discute. O médico poderia escutar os batimentos, conta-los, marca-los. Mas auscultam o paciente, ali, coitado, impacientissimo. Acontece que a sociedade os respeita, mas não podem suportar as suas secretarias que estarão marcando suas consultas ali a um segundo. Não importa que a falta de provas possa estar dificultando o convencimento do júri quanto à veracidade do álibi, a atendente não pode estar passando. Ela não pode reinventar a língua, quem é ela? é preciso erradicar isto. Erradiquemos o imbu, o resisto, o ejécicio, a direitoria, o dezanove. Vamos permanecer guardando a nossa língua evitando os estrangeirismos que querem defenestra-la do mais alto arranha-céu. Façamos, façamos, mas deixemos por ultimo as telefonistas, deixai falar as telefonistas até que tudo o mais esteja resolvido, porque as telefonistas, coitadas, não podem nem mijar como toda a gente, não podem gripar como toda a gente, não podem desistir como toda a gente. As telefonistas estão sendo forçadas a erro. Este foi o segundo argumento: o de que as telefonistas fazem com a língua o que fazemos os administradores, fazem os advogados e os bombeiros: Falam como podem e escutam. Escrevi esse post - tadam! - com meu teclado azerty que revoluciona sozinho todos os acentos e sinais gráficos. Se corrigisse tudinho ficaria bom, mais com os erros é melhor para que os corações apressados digam que Não sabe escrever, como quer defender as telefonistas. Escrevi pensando em André, que esta sendo doutrinado para um concurso publico, em Biagio, que me mandou faz tempo um e-mail defendendo o bom combate do gerundismo, em meus colegas que estão estudando Língua Portuguesa e Poder no IHAC e se veem obrigados a formar trincheiras. Escrevi para salvar o imbu, mbu, bu, um real o saco. Escrevi sabendo que meu ouvido trinca ao telefone com o sotaque da telefonista, mas muito mais porque ela não me deixa falar, não pode me deixar falar e nem fugir às falas do seu roteiro. Escrevi pensando que a língua é uma dimensão social e por isso não se pode ser nazilinguista. Os pobres, os técnicos, os que jamais serão empregados, todos temos a aptidão inata da fala. E erramos porque falamos, Antonieta, não têm pão as gentes. Escrevi para me solidarizar com eles, André, Biagio, meus colegas, querendo que mude o mundo e que defendam a nossa flor do Lacio, mas lembrando que ela é inculta e bela, inculta e bela, inculta e bela. A língua somos nos, mudemos o modelo e o reflexo mudará.





mapinha so para ficar refletindo

sábado, 28 de fevereiro de 2009

O pedido - conversa de blog

Raul publicou no blog de Ibiassucê uma foto da feira velha. E eu sem ela...

O Pedido - ELOMAR

Já que tu vai lá pra feira traga de lá para mim
Água da fulô que cheira, 
Um novelo e um carmim 
Traz um pacote de misse 
Meu amigo Ah! Se tu visse 
Aquele cego cantador 
Um dia ele me disse 
Jogando um mote de amor 
Que eu havera de viver 
Por este mundo e morrer 
Ainda em flor 

Passa naquela barraca 
Daquela mulé resera 
Onde almoçamo paca, 
Panelada e frigideira 
Inté você disse uma loa 
Gabando a bóia boa 
Das casas da cidade 
Aquela era a primeira 

Traz pra mim umas brevidades 
Que eu quero matar a saudade 
Faz tempo que eu fui na feira 
Ai saudade... 
Ah! Pois sim, vê se não esquece 
D'inda nessa lua cheia 
Nós vai brincar na quermesse 
Lá no riacho d'areia
Na casa daquele homem, 
Feiticeiro curador 
O dia inteiro é homem 
Filho de Nosso Senhor 
Mas dispois da meia noite 
É lobisomem comedor 
Dos pagão que as mãe esqueceu 
Do Batismo salvador 

E tem mais dois garrafão 
Com dois canguim responsador 
Ah! Pois sim vê se não esquece 
De trazê ruge e carmim 
Ah! Se o dinheiro desse 
Eu queria um trancelim 
E mais três metros de chita 
Que é pra eu fazê um vestido
E ficar bem mais bonita 

Que Madô de Juca Dido, 
Zefa de Nhô Joaquim 
Já que tu vai lá pra feira 
Meu amigo, tras essas coisinhas Para mim.

Ai sôdade...