quarta-feira, 16 de novembro de 2011

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Esqueci o que ia dizer. Primeiro, que a OMT mudou o jogo pra definição de turista: todos são visitantes, excursionistas ficam um dia e turistas até um ano. Se alguém é pago pra viajar, é turista, se viaja para um emprego, é trabalhador. Depois, esqueci mesmo.


Já falei que quando o mestrado acabar vou ganhar um playstation 3 ???

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

eu procrastino, tu procrastinas...

Então eu tenho que escrever isso; é difícil definir o que é turismo. Amplamente, é o deslocamento de pessoas para lugares diferentes dos de moradia, para conhecê-los ou realizar atividades de lazer, de negócios ou culturais. Por cima, bem por cima. Se definir o turismo assim é difícil, como definir o turista? Aquele que sai do seu local de residência para fazer turismo. Mas quanto ele sai, por quanto tempo? Visitar um parente em Mossoró é turismo? Quase não é, mas pode ser.

Em geral, o turista é colocado lado a lado com o visitante e com o viajante. O visitante é aquele que passa menos de 24 horas e acaba não contando para a estatística. O viajante, por outro lado, é aquele que considera estar em um contato menos rtificial com o lugar do que o turista, que pretende relacionar-se com as pessoas do local, ou conhecer melhor a importância histórica, ou a relevância da viagem do que o turista. Visto pelo viajante, o turista é um superficial alienado.

Mas viajante e turista acabam compartilhando vícios de viagem (importar-se comente com o destino final, por exemplo) ou meios de transporte ou hospedagem. A diferença entre elas, no final, é inteiramente subjetiva.

É isso que eu tenho que escrever.

sábado, 29 de outubro de 2011

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

São tantos sem-noções

Show de Roberto Carlos

Local: Teatro Castro Alves
Data: 18 de novembro, 21h
Ingressos: Inteira R$ 800 (A-P), R$ 600 (Q-Z) e R$ 400 (z1 a z11)


Adiós, Facebook.






Resolvi fechar a conta e passar a régua no facebok, depois de perceber que havia depositado por lá mais do que eu gostaria e constatar que não havia devolução. É tão pouco, minha nêga, mas pra mim chega.

O caso todo da privacidade pode ser acompanhado digitando Max Schrems no Google. O outro caso é a mega dificuldade de se cuidar das próprias informações no face. Algumas coisas são simplesde se apagar, outras não. Seu nome, seu e-mail, o face não larga. Fotos são mais simples, teoricamente, mas as aque você posta em grupos e listas são armazenadas nos respectivos, e você tem de ir lá apagar antes de sair, porque senão a coisa fica.

Isso já tinha chamado minha atenção quando um chegado aqui me reclamou de que saia fechando a conta e quando voltava, tudo estava lá, atualizado. O Facebook não esquece você.

Mas esse não é o maior trabalho. O maior trabalho é confirmar os contatos de cada um dos amigos que você só vê no facebook, porque ao sair você irá perder essa boquinha que arrumaram pra você. Mas tenho certeza que vale a pena: recicla a vida.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Ela

Às vezes ela
no meu sonho
escuta e ri

às vezes ela
no meu sonho
toca em mim

às vezes fala
quase nunca
às vezes sim.

Ela sou eu
se sonho eu
com meu lembrar?

Ela sou eu
que uso dela
para sonhar?

Às vezes ela
quando a vejo
é só sorriso

Às vezes nada
me vira a cara
é meu castigo

Às vezes chora
e se a procuro
já está dormindo.

Que sonha ela
sonha com deuses
ou só comigo?

Que sonha ela
sonha comigo
me ignora?

Será que quando
sonho com ela
sonha comigo?

estranha trama
esta distância
esta frequência

este convívio
em laço onírico
quanto capricho

pois se acordo
sonhei com ela
já não está

se adormeço
ainda é sonho
vou acordar

entre o real
e o lençol
quanto vagar:

preferiria
noites em claro
sem fraquejar

desejaria
sonho acordado
sem despertar

desde que inerte
pudesse tê-la
fosse real

desde que vivo
tê-la ao meu lado
fosse carnal.

Se durmo ou não
o que ela faz
me é negado

se sim eu sonho
sonho comigo
esse é o pecado

sonho com o sonho
de um desejo
que anda ao meu lado

sonho com o sonho
não é com ela
é com o passado.

Pois acordado
se bebe e fuma
e anda nas ruas

se anda com outros
frequenta os bares
é só mais uma

é minha culpa
que no meu sonho
a invento outra

é meu delírio
que fale manso
que troque a roupa

é meu engodo
que teça planos
mexa o cabelo

que ande em nuvens
que diga coisas
meu devaneio

que sonha ela
que mais importa
não é comigo

quem ela sonha
também retorce
é inventado

são isto os sonhos
Entre murmúrios
puro passado.

Quem dera fosse
dizer tranquilo
não sonho mais

quem dera apenas
seguir sonhando
fosse o bastante

pois se é o passado
que a cada noite
deita-se ao lado

não vai embora
fica mais perto
ela distante

será ainda mais
ela impossível
sonho inventado

será mais sonho
cada vez mais
ela presente

será depois
sonho do sonho
sonho dobrado.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

de poeta

Ambiciono, secretamente, um verso elástico.
O canto inútil que grude a língua, tão fácil
Que o povo cante, repita, se canse, repita

Elaboro, silenciosamente, o verso grave
Denúncia inaceitável, de tão dura
Que o povo cante, repita, se canse, repita.


segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Garota na chuva ... ou no verão

A singela e capital diferença entre Edinéia Macedo, Suzana Vieira, Ana Maria Braga e Roberto Justus, é que eles últimos já gravaram um disco e têm muito dinheiro.

Mas Edinéia tem vários clipes, já cantou com Ivete Sangalo e já fez show em praça pública.

Senhores televisionais, #ficadica!

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

perdi no caminho de casa
aquele verso de amor fugaz
o verso secreto
que ia nascer

falava de alguém,
continha ciúmes,
de moças faceiras
trazia o perfume?

esqueci

talvez que dissesse
timidamente
quantas pernas morenas
não me saem da mente

talvez celebrasse
com sons de veludo
carinhos sonhados
para seios duros

talvez que falasse
de quartos fechados
de gritos, espasmos,
mordidas, orgasmos

quem é que me lembra
se eu não escrevi
quem pode sonhar
o que eu não senti

o verso secreto
que ia nascer
perdi no caderno
em que ia escrever

não tem mais poema
nem moça nem peito
nem gozo nem perna
nem som de veludo

esqueci-me de tudo
enquanto pensava
como era o desejo
que eu procurava

terça-feira, 9 de agosto de 2011

estudando gripado - observações fúteis

Tô escrevendo isso -

“Um lugar é a ordem (seja qual for) segundo a qual se distribuem elementos nas relações de coexistência”. Assim, um elemento estaria em relação a outro, “portanto excluída a possibilidade, para duas coisas, de ocuparem o mesmo lugar”, define Certeau (p. 201). Uma vez que o lugar se torna uma configuração de posições, o espaço, por sua vez, “existe quando se tomam em conta vetores de direção, quantidade de velocidade e a variável tempo”. (CERTEAU, p. 202).
As operações, portanto, é que transformam as localizações em cruzamentos e lhe dão contexto significativo. Enquanto cada lugar é estável, o espaço é ambíguo, modificado pelas transformações sucessivas, aponta Certeau, “como a palavra quando falada”. Assim, Certeau pode afirmar: “Em suma, o espaço é um lugar praticado” (p. 202).
É na análise de Merleau-Ponty que Certeau busca apoio para sua tese, indicando que o “espaço geométrico descrito por ele corresponde ao “lugar”, enquanto ao “espaço antropológico” corresponde outra espacialidade mais propícia ao espaço construído no cotidiano, e também nos relatos que incessantemente efetuam o trabalho de transformar lugares em espaços ou espaços em lugares.
Ciente dessa terminologia, Augé (1994) constrói sua proposição do lugar antropológico:
O lugar, como o definimos aqui, não é em absoluto o lugar que Certeau opõe ao espaço, como a figura geométrica ao movimento, a palavra calada à palavra falada, ou o estado ao percurso: é o lugar do sentido inscrito e simbolizado, o lugar antropológico. (ver como é, p. 76)
Augé (1994) considera que a noção corrente de espaço ligada à conquista espacial ou aos lugares “desqualificados ou pouco qualificáveis” como os espaços-lazer ou espaços-jogos o coloca em melhor condição de designar as superfícies não simbólicas do planeta. Uma vez que o termo espaço se aplicaria indiferentemente a extensão, distâncias ou grandezas temporais, como mostrado anteriormente, ele se torna eminentemente abstrato, no dizer de Augé, embora de uso sistemático e pouco diferenciado.
Por espaço aéreo, espaço judiciário e espaço publicitário são designados a parte da atmosfera que um Estado controla, o conjunto institucional e normativo utilizado por uma sociedade e uma porção de superfície ou de tempo destinado à publicidade, aponta Augé, acrescentando que o termo espaço ainda pode evocar salas de espetáculo ou de encontro, jardins, assentos de avião ou modelos de automóveis, o que indicaria tanto a sua voga quanto a abstração que o esvazia “como se os consumidores de espaço contemporâneo fossem, antes de mais nada, convidados a se contentar com palavras.” (1994, p.78).
Assim, em O sentido dos outros, Augé (1999) define o lugar antropológico como sendo “o lugar do ‘em casa’, o lugar da identidade partilhada, o lugar comum àqueles que, ao habitá-lo juntos, são identificados como tais por aqueles que nele não o habitam” (p. 134). É ainda “simultaneamente princípio de sentido para aqueles que o habitam e princípio de inteligibilidade para quem os observa” (AUGÉ, 1994, p. 51).
Sua escala é variável, podendo ser a casa, a choupana, a aldeia ou “tantos lugares cuja análise faz sentido, porque foram investidos de sentido, e porque cada novo percurso, cada reiteração trivial, conforta-os e confirma sua necessidade” (AUGÉ, 1994, p.51).
Os lugares antropológicos são identitários, relacionais e históricos – definem possibilidades, prescrições e proibições de conteúdo espacial e social. Nascer é nascer num lugar, ser designado à residência – o lugar de nascimento é constitutivo da identidade individual; Relacional porque coexiste entre construções partilhadas de lugar; Por fim, o lugar antropológico é necessariamente histórico a partir do momento em que, conjugando identidade e relação, se define por uma estabilidade mínima, baseada não na história enquanto ciência, mas na relação com os antepassados, com os mortos e com a tradição. “O habitante do lugar antropológico não faz história, vive na história”, diz Augé (1994, p.53).
Em suma, o lugar antropológico corresponde à idéia que os habitantes têm da sua “relação com o território, com seus próximos e com os outros”, definindo assim um contexto constitutivo partilhado entre define usos, valores e comportamentos. Sua formulação por Marc Augé (1994, 1999) o aproxima dos espaços de Certeau (ver o ano certo) no que podem ter de prática, de uso e de escrita do lugar.
Se um lugar pode se definir como identitário, relacional e histórico, um espaço que não pode se definir nem como identitário, nem como relacional, nem como histórico definirá um não lugar (p. 73)

--

e tenho que continuar com o texto.

Mas paro pra observações fúteis:

1 - sobre o deputado que devolveu o dinheiro: minha gente, se ele devolve o dinheiro, a bufunfa vai pra conta do tesouro e se reintegra ao orçamento no ano que vem. Então, esse dinheiro ainda pode virar metrô fantasma ou a Usina de Belo Monte.
O que eu espero é que, sem viajar, sem assessores, sem auxílio fardão, ele ainda consiga ser producente e fazer mais que escolher feriados insanos ou nome de escolas. Aguardo.

2 - Se o quebra-pau de London London fosse na cidade maravilhosa, hein?

3 - Saudades de Jorge Amado são sentidas e merecidas, mas o que é o fardão de Roberto Marinho na ABL?

4 - Quem quiser viver muito não ande em Fazenda Grande do Retiro domingo de noite. Avisado.

5 - QUEM É CAF?

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Balada de Gisberta e Isaac e todos eles e todas elas.

Esta carta, como o assassinato de Gisberta, ocorreram em 2006. Ninguém foi preso e Gisberta teve sua morte registrada como agressão seguida de afogamento.

Exm@s. Senhores/as:

Tomámos conhecimento que Gisberta, imigrante brasileira, transexual, seropositiva, toxicodependente, prostituta e sem-abrigo, foi encontrada morta a 22 de Fevereiro num edifício inacabado na cidade do Porto e que o crime foi confessado por um conjunto de 14 rapazes, entre os dez e os 16 anos, a maior parte deles provenientes de uma instituição de acolhimento de menores ligada à Igreja Católica.

Sabemos igualmente que a vítima mortal era frequentemente perseguida pelos rapazes, com insultos e agressões. Sabemos que segundo os relatos, a 19 de Fevereiro, um grupo destes rapazes entrou no edifício onde Gisberta pernoitava, amarrou-a, amordaçou-a e agrediu-a com extrema violência, a pontapé, com paus e pedras. Que o grupo igualmente terá introduzido paus no anús de Gisberta, que apresentava grandes escoriações nessa zona do corpo, a queimou com pontas de cigarro e abandonou-a no local. Que a 20 e 21 de Fevereiro, voltaram ao local e repetiram as agressões. Que na madrugada de 21 para 22 de Fevereiro, atiraram finalmente o corpo de Gisberta para um fosso, numa tentativa de ocultação do crime, e que a autópsia esclarecerá se então a vítima se encontrava ou não viva, embora o facto de o corpo não se encontrar a flutuar, mas sim submerso no fundo do poço, pareça indicar que esta faleceu por afogamento nesse momento.

Tudo indica que o caso foi amplamente divulgado pelos media portugueses nos dias 23 e 24 de Fevereiro, mas de forma errónea e tendenciosa. Enquanto parte da comunicação social nacional falava do assassinato de "um travesti", boa parte destes referiu apenas a condição de "sem-abrigo" ou de "sem-abrigo, prostituta, toxicodependente" de Gisberta, referida também por parte da imprensa como Gisberto, o seu nome legal. Em consonância com esta omissão, desde logo, antes mesmo de serem conhecidos quaisquer pormenores sobre o crime ou sobre a própria identidade e características pessoais da vítima, inúmeros jornais deram eco a artigos de comentadores conhecidos pela sua oposição aos direitos LGBT em Portugal, sustentando que o caso não podia ser classificado como um "crime de ódio" e que não seria legítimo considerar qualquer possível relação com a transexualidade de Gisberta entre as motivações para o assassinato, tendo sido argumentação utilizada nesse sentido foi invariavelmente a idade menor da maioria dos confessos agressores.

Sabemos também que, simultaneamente, foram e continuam a ser ignorados pelos media os comunicados emitidos pelas associações lgbt, esclarecendo a "transexualidade" e identidade da vítima e exigindo medidas legais e sociais de combate às discriminações e de protecção contra os crimes de ódio em função de identidade de género, orientação sexual, condição social, doença ou origem nacional, embora tenha sido superficialmente noticiada uma vigília de solidariedade com Gisberta apoiada pelas associações LGBT que teve lugar na noite de 24 de Fevereiro. Mas, mais uma vez, os media portugueses omitiram a argumentação das associações representadas no sentido de não se ocultar a transexualidade da vítima nem que a discriminação transfóbica pudesse estar entre as prováveis motivações para o crime.

É sabido também que, evitando falar em "crime de ódio" com o argumento da idade dos agressores, e com a excepção de poucos políticos que se expressaram individualmente, nenhum partido político português emitiu uma posição sobre o crime ou o condenou publicamente. Que, do governo português, a única reacção até ao momento veio do ministro responsável pelas instituições de menores que se limitou a declarar-se "chocado", embora instaurando um inquérito à instituição que acolhia os menores. Que estes, à excepção de um rapaz de 16 anos já responsabilizável criminalmente e que se encontra em prisão preventiva, foram devolvidos à instituição e se encontram em regime de semi-liberdade sem que seja conhecida qualquer outra medida destinada aos confessos agressores.

Estranhamos, tal como as associações LGBT portuguesas, que a maioria dos jornais não tenha publicado nenhuma fotografia da Gisberta, de forma a atribuir publicamente, pelo menos, um rosto humano à vítima. Estranhamos que os media portugueses e os seus comentadores tenham concentrado o "choque" pelo crime apenas na idade dos agressores, e não tanto no resultado da morte de uma cidadã. Que tenham dado eco a insinuações do padre responsável pela instituição de menores, que chegou a afirmar publicamente que um rapaz da instituição estaria a ser "molestado" por um pedófilo, o que seria uma "circunstância atenuante".

Estas declarações não levaram à publicação de qualquer declaração pública de indignação.

Estranhamos também que os dados revelados dia 24 sobre as sevícias sexuais sofridas pela vítima, bem como a possibilidade de esta se encontrar viva quando foi atirada ao fosso, apenas tenham sido publicados uma vez isolada por um jornal do Porto. Não compreendemos que, apenas quatro dias após ter sido denunciado o crime, haja um subito silêncio da quase generalidade dos media portugueses sobre este crime.

Perante um terrível assassinato que se configura como um muito provável crime de ódio, perante a omissão tendenciosa da componente sexual e transfóbica do mesmo, perante uma aparente tentativa mediática e política de desculpabilização do crime em si, de omissão da componente "ódio" na morte de uma pessoa que acumulava tantas exclusões sociais, perante tentativas de culpabilização da vítima e de "abafamento" público deste caso, vimos por esta via expressar:

-A nossa total solidariedade com a vítima e com @s activistas portugueses que se encontram a tentar esclarecer os factos, a honrar a memória de Gisberta e a exigir medidas de prevenção e combate às discriminações, sem excluir legislação de protecção contra os crimes transfóbicos, lesbofóbicos, homo ou bi-fóbicos.

-A nossa exigência de respeito pelas posições defendidas por parte d@s mesm@s activistas, e de efectivação das medidas que estes têm vindo a defender como urgentes;

-A nossa total incompreensão para com o comportamento dos responsáveis políticos e dos media portugueses na gestão deste caso, para com a deturpação dos factos ocorridos e a ausência de respostas adequadas à gravidade da situação descrita. Uma situação de desrespeito pelos direitos humanos mais elementares, que não podemos qualificar apenas de inadmissível num país da União Europeia em pleno século XXI.

Grupo Panteras Rosas

Ver isto:
http://psicogenero.blogspot.com/2011/04/transfobia.html
e isto:
http://www.youtube.com/watch?v=e4Kn6AgcfhY


Isaac Souza Matos foi morto no dia 11 de julho, nem faz um mês. O silêncio, no entanto, é como o silêncio de décadas. Ouvi de tudo até hoje, inclusive contra a prevenção da homofobia nas escolas. Só não ouvi uma resposta.


Ilmo. Sr. Governador do Estado da Bahia, Jaques Wagner
Ilmo. Sr. Secretário de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos do Estado da Bahia, Almiro Sena
Ilma. Sra. Delegada de Polícia do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Andreia Ribeiro


Assunto: pedido de urgência nas investigações da morte de Isaac Souza Matos

A Associação Brasileira de Estudos da Homocultura (ABEH), que integra e aqui também representa o Conselho Nacional LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais), criado em março de 2011 pela presidenta Dilma Rousseff, solicita a agilidade e a elucidação dos crimes envolvendo vítimas LGBTs registrados no Estado da Bahia.

A ABEH foi criada em 2001 e congrega professores/as, alunos/as de graduação e pós-graduação, profissionais, pesquisadores/as, ativistas e demais interessados/as na diversidade sexual e de gênero.

No último dia 11 de julho, em Salvador, o estudante de Psicologia, Isaac Souza Matos, de 24 anos, foi encontrado morto dentro do apartamento onde morava com o seu companheiro, o psicólogo Gilmario Nogueira, que é um pesquisador das relações entre a cultura e a sexualidade na Universidade Federal da Bahia, junto ao Programa Multidisciplinar de Pós-graduação em Cultura e Sociedade.
Isaac também pesquisava a sexualidade e era um ativista LGBT em Salvador. Organizava, junto com seu companheiro, uma atividade quinzenal para acolher pessoas que sofrem em função da sua orientação sexual e para discutir questões sobre o assunto através da exibição de filmes. As circunstâncias apontam que a motivação central do crime pode ter sido a homofobia.

Solicitamos que a Polícia Baiana investigue e solucione esse e os demais casos já registrados. A impunidade só dá impulso para que outras pessoas se sintam autorizadas a violentar e matar outras pessoas pelo fato delas serem lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais ou transgêneros.

Leandro Colling
Presidente da ABEH e integrante do Conselho Nacional LGBT

Apagaram-se as luzes
É o futuro que parte...

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Espaço-lixo

O coelho é a nova carne de vaca… Porque detestamos o utilitário, condenámo-nos a uma imersão por toda a vida no arbitrário… LAX [Aeroporto de Los Angeles]: orquídeas de boas-vindas – possivelmente carnívoras – no balcão do check-in… A «identidade» é a nova comida lixo dos deserdados, o pasto da globalização para os privados de direitos… Se o lixo espacial são os resíduos humanos que conspurcam o universo, o espaço lixo é o resíduo que a Humanidade deixa sobre o planeta. O produto construído (voltaremos a este caso mais adiante) da modernização não é a arquitectura moderna, mas antes o espaço-lixo. O espaço-lixo é o que resta depois da modernização seguir o seu curso, ou mais concretamente o que se coagula enquanto a modernização está em marcha, o seu resíduo. A modernização tinha um programa racional: partilhar as bênçãos da ciência, universalmente. O espaço-lixo é a sua apoteose ou a sua fusão. Embora cada uma das suas partes seja o resultado de inventos brilhantes, lucidamente planeados pela inteligência e potenciados por computação infinita, a sua soma augura o fim do Iluminismo, a sua ressurreição como uma farsa, um purgatório desvalorizado… O espaço-lixo é a soma total do nosso êxito actual; construímos mais do que todas as gerações anteriores juntas, mas de certo modo não nos registamos nas mesmas escalas. Nós não deixamos pirâmides. De acordo com o novo Evangelho da fealdade, há já mais espaço-lixo em construção no século XXI do que o que sobreviveu no século XX… Foi um equívoco inventar a arquitectura moderna para o século XX. A arquitectura desapareceu no século XX; temos estado a ler uma nota de pé de página com um microscópio, na esperança que se transforme num romance; a nossa preocupação com as massas impediu-nos de ver a Arquitectura do Povo.

- Rem Koolhas
(excerto inicial do texto Espaço-lixo, traduzido por Luís Santiago Baptista para a Editorial Gustavo Gili – Rem Koolhas, Três textos sobre a cidade, 2010)