quarta-feira, 27 de outubro de 2010

terça-feira, 26 de outubro de 2010

cantiga da Ária da Camarinha - Elomar

Dorme Ro-ze-a-za
Minha menine-a-na
Fecha a pétala
Pequeni-ne-a-na
Fecha olho-lho
vem a onça-ça
mas eu vele-o-lo
Meu amor-ô-ô

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Recital para o Rebentão

Abertura:
Cortinas fechadas, percussão, ponto.
Abre a cortina, luz no atabaque, silêncio.

Livro do desassossego, Bernardo Soares
declama:
Outrora eu era de aqui,
E hoje regresso um estrangeiro
Forasteiro do que vejo e ouço
Velho de mim
.

Violas, pífanos, berros.

Canto de Guerreiro Mongoió - Elomar
Peão na Amarração - Elomar
Cantiga de Amigo - Elomar
Função - Elomar
Usina de Prata - Rosinha de Valença
Ainda Ontem Chorei de Saudade - Moacyr Franco (João Mineiro e Marciano)
Jardim da Fantasia - Almir Sater
Eu vivo num tempo de Guerra - Gianfrancesco Guarnieri
Apesar de Você - Chico Buarque
Vozes da seca - Luiz Gonzaga
Desafio - Tom zé

Bença Mãe - Luiz Gonzaga
Triste Partida - Luiz Gonzaga - Lamento Sertanejo Dominguinhos- Saudade da Minha Terra - Goiá e Belmonte
Vida Boa - Victor e Leo
Fé Lis - Mão Branca
Juazeiro - Luiz Gonzaga
Esperando na Janela - Targino Gondim
Faviela - Elomar

Bis

Com medo, com Pedro - Gilberto Gil
Back in Bahia - Gilberto Gil
Irene - Caetano Veloso
Adoro - Mundo de Prazer - Sonho Lindo - Muito Pra te dar - Magníficos

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

pensava numa poesia
nem me lembro mais

olhava aquelas folhas
não importa mais

poema menor, eu dizia
hoje nunca mais


A professora disse que nada assim é de poeta.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Vim a Comala porque me disseram que aqui vivia meu pai, um tal de Pedro Páramo. Minha mãe me disse.

Juan Rulfo, Pedro Páramo.


Nelida Piñon disse isso na televisão, eu vi e me lembrei na aula de Teoria II. A narrativa é indisciplinadora, dizia ela, a professora, a de Teoria II. Nelida falava de como começar um livro e citou essa abertura de Juan Rulfo, dizendo que, com esta linha, estava intalada a vontade de ler todo o livro, anunciada uma historia, três personagens, um cenario.

Narrar é arquitetar, dizia ela, a professora de Teoria II. sonho o poema de arquitetura ideal, verso de salomão. Eu me lembro de um texto sobre uma maquina amanhecida no meio de uma cidade, onde todos desconheciam a função da maquina, discutiam a responsabilidade de devolve-la, a oportunidade de derrete-la, os festejos pelo aniversario da maquina, até que ela é recolhida por sabe-se quem. O leitor agora tem essa historia, eu que entreguei. Narrar é materializar.

Havia, nunca, um nada não.

sábado, 7 de agosto de 2010

retrouvailles

place des grands hommes

On s'était dit rendez-vous dans 10 ans

Même jour, même heure, même pommes
On verra quand on aura 30 ans
Sur les marches de la place des grands hommes

Le jour est venu et moi aussi
Mais je ne veux pas être le premier
Si on avait plus rien à se dire et si et si
Je fais des détours dans le quartier

C'est fou qu'un crépuscule de printemps
Rappelle le même crépuscule qu'il y a 10 ans
Trottoirs usés par les regards baissés
Qu'est-ce-que j'ai fais de ces années? ...

***

Hoje tem reencontro da turma da escola, e já são 9 anos. O que dá pra fazer em 9 anos e um pouco? casar, trabalhar, ter filhos, estudar, aventurar. É verdade que nem tudo é como a gente sonha, é verdade que nem em sonhos pensava ter vivido tanta coisa até aqui. Sonhava estudar na Europa, não imaginava morar em Paris e tudo mais. Sonhava casar, não imaginava tanta vida nessa palavra, sonhava ter filho, aí está ele.


***

Meu bom jesus, que ninguém se lembre daquele dia, que ninguém se lembre daquele dia, que ninguém se lembre daquele dia!



segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Sonho de uma noite

se eu pudesse dizia a ela
minhas mãos congelando do perfume bom
se eu pudesse contava pra ela
seus cachos luminosos en el azul
se eu pudesse ia mostrar pra ela
tremedeira dela andar na minha rua

se eu pudesse pedia pr a ela
repetir o beijo sol do meio dia
se eu pudesse ligava pra ela
dizia nada e escutava o resultado
se eu pudesse sonhava com ela
fazia tudo que não posso acordado

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Saudades Portuguesas...

Quem é brasileiro e vive onde nasceu dificilmente sabe do que a menina franco-portuguesa esta falando a seguir. Eu nasci em Salvador e não me sentia soteropolitano até um dia desses, e vivi sempre meio exilado de algum lado.

Em Paris, conheci essa comunidade incrível de emigrantes. Nem imigrantes se chamam. Entre a terceira e a quarta geração de gente que deixou a brutalidade da ditadura e a pobreza das zonas rurais em Portugal para viver na França em condições apenas um pouco mais dignas. Porteiros, marceneiros, pedreiros, faxineiros - é assim que são conhecidos os portugueses, que na verdade estão em todos os campos, porque enquanto os primeiros imigrantes reproduziam o trabalho que faziam em casa, seus filhos trataram de estudar e conquistar o que Portugal então não oferecia.

Todo o preconceito do mundo faz com que um francês médico encontre um franco-português médico e pergunte se não ha em sua familia alguém que faça faxinas.

Nenhum dinheiro no mundo faz com que os portugueses desistam de, no primeiro dia de férias, juntar a familia toda e ir para casa, para a unica casa que conhecem. Se na França vivem em pequenos cômodos, constroem em suas aldeias grandes imóveis, que vão dividir com as familias um mês a cada ano. Em casa, participam de procissões, de festas, do prazer do sol e da terra, além daquele que o mar traz e o azeite adocica, é claro.

Depois, tem Bruno Aleixo, meu ídolo.


Sou filha de emigrantes portugueses, nascida em França. Como todos os anos, esperei ansiosamente o principio das férias de verão, com uma unica vontade: regressar ao meu querido e tão amado Portugal...aquele Portugal de cujo oiço falar e conheço desde a minha infancia. Para um emigrante o que significa voltar?Significa matar aquelas saudades todas da familia, dos amigos,...voltar a ver as nossas casas, aqueles cafés cheios de convivencia, aquela rua,aquela esquina,aquele perfume,aqueles caminhos,aquelas paisagens,todas essas imagens que guardamos no nosso coração para o ano todo...significa regressar às nossas raizes...a nossa vida é bem diferente daquilo que a maioria das pessoas imaginam.quer estejamos na França,na Suiça, na Alemanha, é quase sempre tudo igual. Quem entrar nas nossas casas, já não está na França, na Suiça ou na Alemanha. Está pura e simplesmente em Portugal. todas as manhãs, ao sair de casa, passamos esta fronteira que criamos.

Sou filha de emigrantes portugueses e vivo em França. isso não significa que não falo português com os meus pais, que não como bacalhau com batatas ou choriço e presunto ou que não sei quem anda primeiro na superliga! não passa um dia sem eu pensar no meu país... até chego a viver em Portugal por procuração, conversando com amigos ou familiares de Portugal! é uma maneira de viver um pouco em Portugal...

Sou filha de emigrantes portugueses, o que significa que pertenço àquele grupo chamado pejorativamente "aveques", que segundo a maioria das pessoas, vêm, desdo o mês de julho invadir o paìs até o fim do mês de agosto.somos aqueles "aveques que chegam a Portugal e que pensam que tudo é deles" e que "passam o mês inteiro sem fazer nada".admito que é verdade,não trabalhamos durante este mês de férias...arranjamos as nossas casas,aproveitamos as unicas férias e sobretudo tempo livre que temos durante o ano inteiro, e matamos saudades das pessoas amadas.para muitos isso é não fazer nada,mas para nos,isso é fazer tudo.afinal é preciso não esquecer uma coisa importante.se um dia um portugues decidiu deixar o seu país e tornou-se emigrante,não foi com certeza de boa vontade,mas sim para sobreviver,arranjar um emprego num momento de crise,para manter sua familia dignamente.todos os emigrantes partiram e deixaram tudo simplesmente para trabalhar.quem vir um emigrante sem fazer nada durante umas semanas,talvez não o vê quando trabalha os outros onze meses do ano como qualquer outro português.alguns vivem bem,outro menos.alguns integram-se numa outra cultura,outros nunca hão de conseguir.o sonho de muitos emigrantes é regressar de vez para aquele país para aquele país que tiveram de deixar uns anos atrás. voltar a viver nessas casas,naqueles cafés,naquela rua,naquela esquina,naquelas paisagens... tornar essas imagens numa realidade.

Sou filha de emigrantes portugueses e vivo em França. durante às férias sou a amiga francesa de passagem mas durante os onze outro meses sou a amiga port
uguesa.afinal, de que nacionalidade sou?tenho um bilhete de identitade que indica que sou francesa e outro que indica que sou portuguesa, porque afinal é o que sou acima de tudo:Portuguesa, Portuguesa de sangue, Portuguesa no coração...

Comentários:

---as saudades de voltar ao pais amado não são poucas
temos sempre esta esperança k' um dia là estaremos de vez
pork tanto la deixamo durante todo o ano, familia, amigo, casa, o barrio
e esta vida que leva o português de aldeia---

---em todo o ano so ha 2 meses ke eu vivo realmente a minha vida !!!
ke mostro ser realmente kem sou!!!!!
e essas 2 vezes é kuando esto em portugal de férias em agosto e em dezembro!!
so ai é ke sou realmente alguem!!
so nessa altura é ke me sinto alegre!!!

mas kuando xega akele dia de voltar pra este pais de merda eu volto a morrer!!

eu so exito kuando esto em portugal!!!!!---

--- é so saudade. Andam todos com saudade.

Venham entao pa ca a ganhar o salario minimo, a irem aos hospitais e serem mal tratados. Venham todos
que ja passam as saudades....---






Bom Danado

Sábo de noite eu vou
Vou pra casa do Zé
Sábo de noite eu vou
Dançar um côco e arrastar o pé


E a beleza de Maria
Ela só tem pra dar
O corpinho que ela tem
Seu andar requebradinho
Mexe com a gente
E ela nem nem, e ela nem nem

Mas ela vem dançar um poco
E eu vou lhe arrumar
Na umbigada já ganhei seis
Agora vou inteirar

São sete meninas, são sete fulô
São sete umbigadas certeiras que eu dou

http://www.youtube.com/watch?v=bOBe8eT_6iM

sexta-feira, 2 de julho de 2010

a felicidade de estar errado às 3 da manhã quase

de estar certo porque a culpa foi dela e do shimbalauê atômico que caiu do céu!

Chico

Gadu

terça-feira, 22 de junho de 2010

Junho - Alceu Valença

Eu sei que é junho, o doido e gris seteiro
Com seu capuz escuro e bolorento
As setas que passaram com o vento
Zunindo pela noite, no telheiro

Eu sei que é junho, esse relógio lento
Esse punhal de lesma, esse ponteiro,
Esse morcego em volta do candeeiro
E o chumbo de um velho pensamento

Eu sei que é junho, o barro dessas horas
O berro desses céus, ai, de anti-auroras
E essas cisternas, sombra, cinza, sul
E esses aquários fundos, cristalinos
Onde vão se afogar mudos meninos
Entre peixinhos de geléia azul