um pequeno verso de Cocciante:
Mais tu n'es pas là,
et si je rêve, tant pis
Quand tu t'en vas
je dors plus la nuit
Mais tu n'es pas là,
et tu sais, j'ai envie
D'aller là-bas,
la fenêtre en face
et de visiter ton paradis.
Je mets tes photos
dans mes chansons
Et des voiliers dans ma maison
J'voulais me tirer,
mais je me tire plus
Je vis à l'envers, j'aime plus ma rue,
J'avais cent ans, je me reconnais plus
J'aime plus les gens depuis que je t'ai vue
J'veux plus rêver, j'voudrais qu'tu viennes
Me faire voler, me faire je t'aime...
quinta-feira, 10 de julho de 2014
quarta-feira, 28 de maio de 2014
As pequenas vitórias
Comemora tuas pequenas vitórias
O papel no cesto,
Cara ou coroa,
A bola no ângulo
Comemora
Despreza as grandes viradas
O imperador deposto
O homem em Marte
A cura da morte
Despreza
Tuas pequenas vitórias
breves alegrias
um sabor de fruta
de calda de açúcar
Comemora
As grandes viradas
O poeta morto
O mistério frustrado
A eterna agonia
Despreza
quinta-feira, 22 de maio de 2014
A composição que Caetano me roubou*
- Roubou.
Roubou, roubou, roubou. Michele não me disse naquele momento, mas ela pensou
que eu falava de um robô. Só quando viu a televisão que eu estava a ponto de
destruir a golpes de controle remoto, percebeu que as acusações repentinas
estavam dirigidas a um senhor grisalho, magro, de óculos, respeitável pela
figura senão pelo ritmado rebolado e o umbigo ensaiando aparecer sob o agasalho
quando o cantor erguia os braços e tremelicava os beiços. O ladrão, o meliante,
o réu sumariamente acusado era Caetano Veloso.
– Ele roubou. Eu
não me lembrava mas agora eu lembrei. Nunca que ele escreveria isso, olhe a
cara dele! Agora que eu me lembrei! Eu que mostrei isso pra ele em 68, eu! Ele
estava lá, todo jururu mocozado, os cabelos parecendo um pesqueiro de carapicú,
eu fui lá e mostrei pra ele. Ele tava todo Triste Bahia, eu fui lá, agora olhe
bem a cara dessa múmia!
– Ótimo, muito bom, Michele me disse
incrédula. Só que o senhor doutor nasceu em 68 foi? Ou foi antes?
– 84, eu nasci
em 84, mas 68 foi no Amazonas, eu tive vida antes de lhe conhecer e a senhora
sabe. Ligue aí agora é para o seu advogado, ao invés de ficar aí advogado de
santamarense. Assim você vai é longe. E pegue ali aquela Playboy de Gal Costa
que eu vou lhe mostrar se ele não me roubou.
– Só se for
agora, porque aí eu aproveito o advogado e o divórcio é na hora. Michele
definitivamente não se interessa por disputas autorais.
– Pois pegue e
veja aí na entrevista, ele mesmo conta. Foi no dia do chá.
Revoltado,
transtornado e visivelmente contestado em minha própria casa, diante da
televisão que impávida transmitia para os lares do Brasil a apropriação da
minha composição, eu é quem fui atrás da entrevista em que o larápio narra o
dia em que tomou o chá do Daime no Rio de Janeiro e me recebeu em Londres em 68
para ouvir, decorar e tantos anos depois gravar como se sua fosse a minha
canção.
- Aqui ó: “Vi
pessoas, não importava o tempo. Dedé estava se vendo em outro lugar. Fechei os
olhos e as pessoas que eu via eram mais reais que o tapete de náilon. Gil
falava em morrer e Sandra entrava e saia com olhos de índia. Indianos faziam
uma suruba. Eu estava louco”. A vitória. – Viu? Roubou sim. Roubou, roubou,
roubou.
– Que ele é
chegado eu nunca duvidei, disse Michele, a incrédula - Agora aonde é que entra
uma música que você fez é que eu não vejo aí, nem pra Kakay ouvir isso
– Na moral
véi, protestei. – Pegue o carro aí e vá pra Santo Amaro mandar os malditos
embora que você está se perdendo aqui. É óbvio, você quer que ele fique
desmoralizado no Procure Saber? Vai dizer pra Jô Soares que me encontrou na
conexão desse chá? Agora ir lá e gravar a música é que ele soube bem. Eu vou
lhe mostrar agora, você vai ver e vai me pedir é desculpas pela sua falta de
fé. – Aqui ó, disse eu, rabiscando o que eu me lembrava tão bem de ter
transmitido ao infiel e passando o papel para minha adversária interlocutora, enfim
podendo desabafar a minha vitória:
Uma menina negra
Em seu vestido amarelo
Lá o mar, as ondas
Como anda
E eu olhando
A melhor coisa do mundo
Era esse vestido
Na minha vida
Querida
– Tomou agora? E aí agora? Eu não quero nem
dinheiro, ele vai ter é que se desculpar em rede nacional, na-ci-o-na-ú. Quero
ver ele Black block aí falando de Daime, ou não, peguei, ou não, veio assim, ou
não, gravei, ou não, como é Gil, me desclassifique.
– Mas você escreveu isso aí agora, e ele está
cantando Uma menina preta de biquíni amarelo,
na frente da onda, que bunda, que bunda .Você mesmo já tinha me falado
dessa música horrível. E faz uns anos.
– Pois é, é o que eu estou lhe dizendo. Olhe a cara
desse rapaz, veja se isso tem condições de ter escrito bunda de biquíni amerelo?
Minha versão é muito melhor, e eu não falei bunda pra não lhe envergonhar.
Ladrão descarado. A vida é assim, a pessoa não está em paz nem em pensamento,
porque pode vir um doido aí viajando no espaço-tempo e roubar sua ideia no ar.
– Que dia essa greve acaba mesmo? Perguntou Michele,
sempre com a última palavra.
*Essa é uma obra de ficção. Todos os personagens e fatos narrados são de
livre criação do autor, não retratando pessoas nem acontecimentos reais.
Procure saber.
sábado, 10 de maio de 2014
essa noite vi chover
Eu vi entre muitos pés suas sandálias azuis. Era um sonho. Entre sapatos de couro, sandálias azul-turquesa, e eu, sozinho entre tantos passos, procurei segui-las. Havia tanta gente como num filme, e eu soube que sendo um sonho como um filme, eu terminaria por alcançá-las. A minha busca vinha de uma solidão profunda, eu não estava sorrindo. Não, estava triste. Num novo relance, outra vez o azul e as suas sandálias, mas agora tantos passos em tantas direções opostas, eu achei ter te perdido de vez. Quando parei de olhar o chão, você estava à minha frente, quase tão triste quanto eu, só por reconhecer o desespero da minha solidão. - Saio na rua um instante e encontro você fincado no chão do Recife. "Parce que tout ce qu'on veut c'est respirer tranquille". Tudo que a gente quer é respirar tranquila. Foi o cartaz que me veio com aquele abraço na cidade do sonho.
Jorge Mautner
Como vai você, nesse dia azul...
Não vou sem me responder!
Guzzy, guzzy muzzy, hey you!
Será que assim falam, os índios do xingu
Não vou sem me responder!
Guzzy, guzzy muzzy, hey you!
Será que não ia bem, consultar o doutor Artur
Não vou sem me responder!
Guzzy, guzzy muzzy, hey you!
Será que você tomou cachaça com chuchu
Não vou sem me responder!
Guzzy, guzzy muzzy, hey you!
Guzzy quer dizer que eu te amo
Muzzy quer dizer que eu te adoro
E "hey you" é "ei você", "ei você"...
É "ei você", "ei você", é "ei você"
É ei você aí mesmo no meio dessa multidão...
Não vou sem me responder!
Guzzy, guzzy muzzy, hey you!
Será que assim falam, os índios do xingu
Não vou sem me responder!
Guzzy, guzzy muzzy, hey you!
Será que não ia bem, consultar o doutor Artur
Não vou sem me responder!
Guzzy, guzzy muzzy, hey you!
Será que você tomou cachaça com chuchu
Não vou sem me responder!
Guzzy, guzzy muzzy, hey you!
Guzzy quer dizer que eu te amo
Muzzy quer dizer que eu te adoro
E "hey you" é "ei você", "ei você"...
É "ei você", "ei você", é "ei você"
É ei você aí mesmo no meio dessa multidão...
segunda-feira, 17 de março de 2014
Castro Alves na Malásia
Donde
vem? onde vai? Das naus errantes
Quem sabe o rumo se é tão grande o espaço?
Neste saara os corcéis o pó levantam,
Galopam, voam, mas não deixam traço.
Quem sabe o rumo se é tão grande o espaço?
Neste saara os corcéis o pó levantam,
Galopam, voam, mas não deixam traço.
terça-feira, 25 de fevereiro de 2014
Carnavalar
Dançarei
constrangedoramente
Farei promessas
Cantarei
hinos mirabulosos
de muçulmanos sedentos
escravos libertos
bebês famintos
Requebrarei
Serei baiano,
praieiro
até solteiro
Que querer mais?
Nem que seja a última odisséia terrestre,
Carnavalarei
São seis dias
São seis noites
Muitos sonhos
Muita dor
Anestesia
De Ondina
Ao Farol
Nostalgia
nas mãos do Poeta
O artista caduco
O trio estridente
A cidade opressora
Suplantarei
O intelecto
O mentecapto
O vigilante
vencerei
Quando brilhar a estrela
Com minha pequena
simplesmente
carnavalarei
constrangedoramente
Farei promessas
Cantarei
hinos mirabulosos
de muçulmanos sedentos
escravos libertos
bebês famintos
Requebrarei
Serei baiano,
praieiro
até solteiro
Que querer mais?
Nem que seja a última odisséia terrestre,
Carnavalarei
São seis dias
São seis noites
Muitos sonhos
Muita dor
Anestesia
De Ondina
Ao Farol
Nostalgia
nas mãos do Poeta
O artista caduco
O trio estridente
A cidade opressora
Suplantarei
O intelecto
O mentecapto
O vigilante
vencerei
Quando brilhar a estrela
Com minha pequena
simplesmente
carnavalarei
terça-feira, 21 de janeiro de 2014
O Japão
Se eu digo lago
e digo lagoa
e digo represa
em minha mente vêm somar-se paisagens imaginárias
se é um lago
peixes enormes, bolhas marrons, areia fina e a minha infância,
se uma lagoa
banhos dominicais
se é represa
Se digo Japão
Se digo Japan
Se digo Japon
Quantos mundos
A quantos falo
sobre o que não vi
e digo lagoa
e digo represa
em minha mente vêm somar-se paisagens imaginárias
se é um lago
peixes enormes, bolhas marrons, areia fina e a minha infância,
se uma lagoa
banhos dominicais
se é represa
Se digo Japão
Se digo Japan
Se digo Japon
Quantos mundos
A quantos falo
sobre o que não vi
domingo, 19 de janeiro de 2014
O Japão
Quando eu digo Japão
Assim Japão
é algo tecnológico
algo ultra novo
que ainda será
mas já está lá
Não são 127 milhões de japoneses idênticos
nem 377 mil quilômetros quadrados
nem lendas de samurais
nem o Sol nascente
Não são os navios de Pearl Harbor
Nem os kamikazes
Nem o motor Honda
Sou eu
O policial de aço Jiban
Os programas da tv manchete
Sou eu
tudo que eu digo
Assim Japão
é algo tecnológico
algo ultra novo
que ainda será
mas já está lá
Não são 127 milhões de japoneses idênticos
nem 377 mil quilômetros quadrados
nem lendas de samurais
nem o Sol nascente
Não são os navios de Pearl Harbor
Nem os kamikazes
Nem o motor Honda
Sou eu
O policial de aço Jiban
Os programas da tv manchete
Sou eu
tudo que eu digo
sábado, 11 de janeiro de 2014
O Japão
Quando eu digo Japão
É longe como a distância
enorme
entre seus olhos
e meus olhos
Se eu digo Ranelagh
É doce como a risada de Sylvie
e a voz de Anna
Paris
É logo ali
É longe como a distância
enorme
entre seus olhos
e meus olhos
Se eu digo Ranelagh
É doce como a risada de Sylvie
e a voz de Anna
Paris
É logo ali
quinta-feira, 2 de janeiro de 2014
Pode, Waldir?
A respeito da covardia de Gilberto Gil frente ao Teatro Nu e a crônica de Cláudio Marques sobre o cancelamento do reveillon de Neto:
Caro Cláudio,
Quero registrar aqui minha estupefação quanto às reações motivadas pelo seu brilhante texto. Que o Bocãonews, cuja estratégia se baseia em adiantar boatos que nem sempre se convertem em notícias, que o portal Metro1 (recém associado ao rapaz por trás do bocão) e que a população que confunde literatura com jornalismo se levantem em defesa do seu programa ou do seu negócio de fim de ano, vá lá. Que a minha colega de escola sumida desde a quinta série, hoje produtora de eventos, defenda seu quinhão, vá lá. Eles são os interessados na manutenção do negócio. Até Flora, no seu papel de produtora. Mas Gil? Gilberto Passos Gil Moreira? O rapaz do pra prefeito não e pra vereador pode Waldir? O homem pra quem o segurança pediu o crachá? O homem que beija outro homem qualquer diante de seu pai? que anda querendo o pulo certo o encanto o porte esperto, delgado do veado? Qual homem, o Ministro da Cultura? O poeta da lata? Qual é, baiano?
Acho ótimo que Gil tenha assinado a carta que o advogado escreveu para a assessoria dele. Tomara que tenha sido Kakay. Estávamos aqui de povo e GG chegou de Rei. Bravo, Teatro Nu!
Caro Cláudio,
Quero registrar aqui minha estupefação quanto às reações motivadas pelo seu brilhante texto. Que o Bocãonews, cuja estratégia se baseia em adiantar boatos que nem sempre se convertem em notícias, que o portal Metro1 (recém associado ao rapaz por trás do bocão) e que a população que confunde literatura com jornalismo se levantem em defesa do seu programa ou do seu negócio de fim de ano, vá lá. Que a minha colega de escola sumida desde a quinta série, hoje produtora de eventos, defenda seu quinhão, vá lá. Eles são os interessados na manutenção do negócio. Até Flora, no seu papel de produtora. Mas Gil? Gilberto Passos Gil Moreira? O rapaz do pra prefeito não e pra vereador pode Waldir? O homem pra quem o segurança pediu o crachá? O homem que beija outro homem qualquer diante de seu pai? que anda querendo o pulo certo o encanto o porte esperto, delgado do veado? Qual homem, o Ministro da Cultura? O poeta da lata? Qual é, baiano?
Acho ótimo que Gil tenha assinado a carta que o advogado escreveu para a assessoria dele. Tomara que tenha sido Kakay. Estávamos aqui de povo e GG chegou de Rei. Bravo, Teatro Nu!
domingo, 29 de dezembro de 2013
Páramo
Pensava fazer um poema, mas há todas essas coisas que escrevemos e apagamos. Vim a Comala por que me disseram que aqui vivia meu pai. Seria assim. Inútil, inexpressivo, mas definitivo. Um poema.
terça-feira, 24 de dezembro de 2013
Do http://www.teatronu.com
Prefeito ACM Neto cancela shows do final de ano e anuncia R$ 6,5 milhões para a cultura de Salvador
Da redação
O Prefeito ACM Neto provou que não veio para brincadeiras e que a sua gestão entrará para a história de Salvador. Com uma postura ousada, digna dos grandes líderes, o “pequeno notável” cancelou os festejos de final de ano (quatro noites de shows e queima de fogos de artifício) e anunciou a criação de uma política cultural com lançamento imediato de novos editais com o mesmo montante que seria gasto no Réveillon: “Não podemos gastar R$ 6,5 milhões em quatro noites. É uma atitude irresponsável e eu sou o prefeito da cidade. Não posso permitir isso. Nós vamos investir na economia da cultura, dar condições mínimas para que mais de 1.000 produtores, diretores, atores, músicos, escritores e dançarinos possam viver daquilo que nos alimenta durante todo o ano e para sempre: Arte !”, disse um prefeito emocionado para uma platéia que lotava as dependências do Palácio Tomé de Souza, em Salvador.
A classe artística quase foi às lágrimas, parecia não acreditar no que estava acontecendo. No mesmo evento, foi anunciada a criação da “Bolsa de Projetos” a ser gerenciada por uma comissão permanente que vai avaliar a realização e resultados dos projetos contemplados nos editais municipais. A partir daí, serão criadas linhas independentes que visam estimular o surgimento de jovens talentos, além de dar garantia de continuidade aos artistas e projetos consolidados: “Estudamos os melhores sistemas de financiamento cultural no mundo e chegamos a uma proposta inovadora, que garante a continuidade da produção artística”, concluiu o prefeito.
Muitos dos presentes ficaram um tanto frustrados por não conseguirem enxergar o burgomestre durante a cerimônia, mas a imensa maioria se mostrava muito contente diante das novidades: “Creio que estamos assistindo a uma revolução na vida cultural da cidade. Compreenderam, finalmente, que editais são instrumentos e não se constituem, por si só, como política”, afirmou o cineasta Cláudio Marques. “Eu já estava ficando maluco com essa quantidade de festas. Foram sete dias em homenagem ao Samba e agora, seriam mais quatro para celebrar a passagem do ano, que tradicionalmente, em qualquer lugar do mundo, é celebrada apenas em uma noite, a última do ano”, disse, por sua vez, o arquiteto Márcio Correia Campos.
Até mesmo os mais céticos bateram palmas para a iniciativa: “Eventos, shows, festas… isso é uma anti-política cultural, um atentado a cidade. Ou melhor, era. Felizmente, ACM Neto teve a grandeza e o bom senso e interrompeu esse processo”, comentou o dramaturgo Gil Vicente Tavares, crítico costumeiro da apatia e imbecilidade soteropolitanas. O poeta e agitador cultural, James Martins, foi um dos mais comedidos diante do anúncio “Precisamos esperar um pouco, ler o decreto na íntegra para ver se o teatro profissional foi finalmente contemplado. Precisamos saber qual a importância que a literatura vai ter nessa política”.
Os bastidores
Um funcionário da prefeitura, que preferiu o anonimato, contou para a reportagem que toda essa reviravolta começou há algumas semanas, na Fundação Gregório de Mattos. Foi lá que o presidente do órgão municipal responsável pela cultura, Fernando Guerreiro, em dia de forte depressão, levantou-se de súbito gritando para quem quisesse escutar “Ou levam a cultura a sério ou eu vou embora !”. Na noite anterior, Guerreiro havia se encontrado com o Secretário de Cultura do Estado da Bahia, Albino Rubim, que demonstrara também uma grande dose de tristeza frente à situação de contingenciamento de verbas, promovida pelo Governo do Estado. Albino confidenciou para o colega que se sentia humilhado, sem forças e que se arrependia por não ter largado o cargo anos antes, quando o Governador impôs a mudança do IRDEB da pasta de cultura para a de comunicação, contra a vontade dele e de todos da cultura. “Estamos emprestando o nosso nome, a nossa história e a nossa honra para dar credibilidade a essa gente, que, no fundo, não nos respeita”, teria dito Albino. “Meu Deus, que vergonha eu passei com aquela história de ‘Cultura em Campo’… que vergonha promover aquilo, como eu me arrependo…”, confidenciou ao colega.
De alguma forma, aquela conversa mexeu com os brios de Guerreiro, que fez valer o seu sobrenome e impôs condições radicais para a sua permanência no cargo. ACM Neto, ao que tudo indica, entendeu o recado e tomou a atitude que rompe com a lógica levada a cabo pelo seu avô, de promoção de grandes eventos aliada à concentração de verbas nas mãos de poucos gestores culturais, em detrimento de ampla maioria de artistas locais.
Caetano Veloso e Gilberto Gil, estrelas contratadas pela Prefeitura e que tiveram seus shows cancelados, não se mostraram chateados com a decisão: “O futuro está nos jovens!”, exclamou um sorridente e brilhante músico e ex-ministro da cultura, que se revelou contente por ver aquele dinheiro irrigando um setor que precisa de pouco para dar tanto. Já Caetano também parabenizou o prefeito pela iniciativa, mas pediu que da próxima vez ele seja avisado com um pouco mais de antecedência. “Eu tinha uns cinco ou seis convites… mas, tudo bem. Ele está fazendo o que é certo”. A produtora Flora Gil, responsável pela organização do evento, não quis tecer nenhum comentário sobre a mudança de planos da Prefeitura. A amigos, ela teria dito que quem perdia com isso era a população de Salvador, pois os cachês dos shows seriam pagos por patrocinadores privados. “A prefeitura não pode e nem deve competir com os produtores locais em busca de patrocínio. Não é essa a sua função. O dever do poder público não é o de promover festas, mas sim de criar políticas que auxiliem no desenvolvimento do que há de mais criativo e elaborado em nossa cidade”, declarou o professor da UFBA, Ordep Serra.
Não há como negar o impacto positivo dessa medida a curto, médio e longo prazos para Salvador. Se por um lado, a economia da cidade agradece, por envolver milhares de pessoas, direta e indiretamente, por outro cria-se um valor não comensurável, pois o nome de Salvador e de seus habitantes será propagado pelos quatro cantos do mundo, por muito tempo.
sexta-feira, 13 de dezembro de 2013
Refratária
Ignorância minha
pensava de ti
que repele poesia
que não esquenta nem esfria
refratária
corri ao google
refratário esquenta
cozinha
ferve dentro
queima fora
derrete
repelente
é a palavra
seria
repelente é o que mantém distante
tu estás perto
mas nem sente
ouve
mas nem se move
lê
não entende
não liga
indiferente
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